Quem vai esquecer o sorriso de Alice?


Muitas pessoas têm o mérito por viver uma vida casta e ilibada. O mérito de serem serenas e pacatas ao ponto de não fazer mal a ninguém. Mas existem pessoas que abdicam desses méritos convencionais e realmente fazem a diferença. Pessoas que com suas ações naturais e espontâneas (certas ou erradas, justas ou não) provocam em quem as cercam uma necessidade imperativa de mudar, nem que seja, o jeito de pensar.

A Senhora Alice Palmeira Nascimento viveu como esse último tipo de pessoa. Poderíamos falar dos erros, dos defeitos, dos sofrimentos e traumas causados, porém, tais coisas só fazem sentido quando enquadradas em um contexto, no momento que foram causados. E além, disso, sob a ótica do budismo, sofrimento causado é sofrimento superado e transformado em sabedoria e boa sorte. Cabe, então, falarmos sobre as coisas que realmente compuseram o ser humano único que deixou essa existência há 49 dias para se fundir ao universo. Dona Alice sempre foi uma mulher muito ativa e altiva, sim; essa é uma boa forma de defini-la: Ativa e Altiva.

Ativa porque desde sempre, parecia ter uma inquietação que a levava a buscar coisas novas, aventuras, diversão, informação. Desde a época em que freqüentava bailes em noites de sábados com amigas, até as viagens com excursões para Aparecida do Norte e Rio de Janeiro, por exemplo. Dentro dessa “atividade” toda, teve coragem e disciplina para se alfabetizar cursando as aulas do Projeto Educacional da BSGI, Aliás, Dona Alice, apesar de jamais ter se convertido ao budismo de Nitiren Daishonin, foi uma fiel incentivadora à nossa prática (tanto que quando via a Valeria passar por algum problema ou dificuldade, aconselhava que fizesse Daimoku). Além disso, participou de inúmeras atividades em nossa localidade (principalmente as comemorativas, pois podia se esbaldar em bolos, salgadinhos e doces, coisas que adorava).

Mas quando dizemos que ela era Ativa, atribuímos, em especial, à sua entusiástica Era de servidão ao samba! Ao longo de 5 anos teve uma fantasia cativa na ala mais querida, a Ala das Baianas, da escola de samba Mocidade Alegre. Apesar de Dona Alice sempre ter uma saúde privilegiada, era conflitante ver uma senhora que beirava os 70 anos de idade ensaiar, decorar coreografias, cantar, carregar sobre os ombros uma pesada fantasia durante horas... E ainda comemorar o campeonato que ajudou a conquistar! Quanta energia!! Quanta vivacidade!

E por que Altiva? Ora, bastava olhar pra Dona Alice e ver seu ar imponente e distinto, demonstrando sempre um orgulho muito grande por ser quem era. Sua altivez ficava ainda mais evidente quando estava cuidando de suas plantas e bichos! Jamais conheci alguém que tivesse tamanha capacidade de tratar de samambaias, hortas, trepadeiras, gatos, cachorros, pássaros... Parecia que tinha um poder especial de se comunicar intimamente com essas formas de vida e lhes atender as necessidades. Parecia às vezes, uma encantadora de plantas e animais!

Dona Alice também era altiva quando gargalhava longamente (muitas vezes por motivos que só ela conhecia) e quando caçoava de algo ou alguém. Ela era hilária! Altiva, porque até a última vez que pôde ser vista por nossos olhos, parecia soberana, com aquele velho e vistoso orgulho por ser quem foi e sempre será! Se fecharmos os olhos, quem a conheceu, sempre poderá vê-la dançar de forma inconfundível e ouvir sua bela e afinada voz, entoando as mais doces canções, alegrando nossos corações.

Ah, Dona Alice, saudades insuperáveis...

Texto de Thiago Batista.

A dor da perda de uma mãe: Insolente e Insólita.

Comentários

  1. Sem comentário! Só o Tiago para expressar tão bem...

    Marisa

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  2. Ameiii o Blog!!! =DDD
    Parabénss!! Valeuu pela "colegagem"
    sahusuhahushu

    (L)

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  3. muito insolente teu blog, a tua cara! hehehe...
    adorei, super criativo! precisa me ensinar a usar esses recursos, há dois anos q o meu tem uma foto como título, e é só o q consigo...hahahaha!
    Parabens,Val,e boa sorte. Persevere, sem se obrigar. Deixa fluir e persiga sempre aprender mais e mais...qto mais aprendemos, mais repassamos. Esse é o valor do aprendizado.
    Bj, Dê

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