Problema nosso de cada dia - Analfabetismo Funcional

ANALFABETISMO FUNCIONAL NO BRASIL 

É denominada analfabeta funcional, a pessoa que não possui habilidade para interpretação de textos, mesmo tendo a capacidade de ler e escrever. Podemos classificar também, como sendo a pessoa na situação de escolaridade inferior a quatro anos e que tenha mais de 15 anos de idade.
Na última pesquisa realizada pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009, divulgada no dia oito de setembro de 2010 e por meio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 20,3% da população brasileira é caracterizada como analfabeta funcional.
Sendo o quinto país mais populoso do mundo, com 192.304.735 de habitantes (IBGE), o Brasil carrega a marca de ter aproximadamente 39 milhões de pessoas que só compreendem frases curtas e operações aritméticas básicas. Sem contar os 14,1% que não sabem ler e escrever.
Apesar dos dados preocupantes, o analfabetismo funcional vem diminuindo. Em 2004, o índice era de 24,4%. Na região Sudeste, mais estruturada e politizada, o índice de analfabetos funcionais está em torno de 15%. No nordeste, além da seca e da falta de trabalho, os nordestinos sofrem mais com a baixa qualidade do ensino, o que resulta numa taxa de 30,8%. 

O QUE HÁ DE ERRADO NA EDUCAÇÃO DOS BRASILEIROS? 

Segundo especialistas, o sistema educacional no Brasil é superficial. Nos últimos 25 anos, o aprendizado foi fragmentado, levando o aluno a somente aprender a ler e a escrever e não o desenvolvimento de competências reais de leitura e escrita.Ou seja, cria-se um aluno que lê, mas não é letrado, porque não consegue aplicar no seu dia a dia o que leu. O aluno não é preparado para compreender o que lê.
São necessárias uma reavaliação e uma revolução educacionais. A falta de políticas públicas nessa área é condenável, uma situação que parece que gira em torno de si mesma. Vejamos o caso do Estado de São Paulo com a Progressão Continuada, criada em 1997, pelo governo Mário Covas, com o objetivo de acabar com a evasão escolar. O sistema de não repetência dos alunos de 1º a 8º série do ensino fundamental, vem perpetuando a entrega do diploma ao despreparado, ao cidadão que conclui o grau médio, muitas vezes, sem conseguir escrever o próprio nome corretamente.
Para a ex-professora em Biologia, Rafaela Quintanilha, falta interesse dos professores e alunos: “O que deveria servir como incentivo ao aluno para continuar estudando e ao professor para acompanhá-lo e ajudá-lo a prosseguir desenvolvendo seu conhecimento, tornou-se um escudo para o aluno que não se esforça, justificando "passarei de ano assim mesmo", e uma desculpa para o professor que não busca melhorias na didática  e justifica "este aluno passará de ano mesmo", declara a bióloga. 

A COMUNIDADE ORGANIZADA 

Em meio a toda essa problemática, há aqueles que se cansaram de apenas assistir ao caos e preferiram criar meios de aliviar a condição desfavorável, Como é o caso da Educadora Elizabeth Cury, idealizadora do projeto UNIMEL (Universidade na Melhoria da Escrita e da Leitura), no campus São Miguel da Universidade Cruzeiro do Sul. “Aquilo em que eu acredito, mesmo, é num trabalho de alfabetização e letramento feito com bastante envolvimento de quem o faz, para que todos os sujeitos participantes entrem no movimento intenso e ao mesmo tempo cuidadoso que a missão exige”, enfatiza a professora.
A iniciativa atende a um público diversificado que vai do aluno de 5º série a graduandos. O programa incentiva à expressão oral, à leitura adequada às diferentes situações da fala e aos diferentes níveis de linguagem, com o objetivo de diminuir o analfabetismo funcional.
Também, podemos citar o programa criado pelo departamento Educacional da BSGI (Brasil Soka Gakkai Internacional), “Na magia da Leitura”. Por meio de encontros semanais, os participantes lêem, interpretam e discutem o que compreenderam utilizando grandes obras brasileiras, estabelecendo, assim, a função social da leitura. 

O ANALFABETO FUNCIONAL E A UNIVERSIDADE 

A dona de casa, Maria Nilva do Nascimento, parou de estudar jovem porque precisava ajudar a mãe financeiramente. Por várias vezes, tentou voltar aos bancos escolares sem ter sucesso. Todas as vezes que precisa resolver algum problema no Banco, precisa chamar o filho mais velho. “Nunca consigo entender o que a gerente fala do meu extrato bancário”, diz a aposentada.
São pessoas como estas que conseguem enviar seus filhos a Universidade, mas não têem noção se eles terão a real capacidade de exercer o que aprenderam. A verdade é que, cada vez mais, as Faculdades precisam se preocupar com o despreparo dos estudantes que chegam às salas de aula com dificuldade de aprendizagem.
Para o professor da disciplina Técnicas de rádio da Universidade Cruzeiro do Sul, Anthony Jones, tanto os alunos quanto os professores, precisam trabalhar juntos e enfrentar esse problema de frente: "Para tentar solucionar ou amenizar o problema, entendo que basta vontade, por parte do professor, de ter paciência para dar uma atenção maior para esses discentes. Tenha a certeza de que o resultado final será muito bom para o professor – notar uma melhora significativa no rendimento do aluno – e melhor ainda para o próprio aluno – perceber resultados positivos no seu aprendizado”, conclui o docente.
 
(Matéria principal do Projeto Interdisciplinar do 4º semestre - Unicsul).

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